#news - Violência doméstica - O meu relato de vida

março 16, 2016

Relato pessoal
 
Durante 14 anos fui alvo de violência doméstica da parte do meu pai.
Quando ele morreu, senti como se tivesse ganho asas e sei que caí muitas vezes até saber voar mas hoje sei que sou uma pessoa completa.
Não vou dizer que não tenho os meus próprios medos, claro que tenho. Sobretudo quando algo me faz lembrar o meu pai.
Durante muito tempo tive medo de dizer o que penso mas felizmente tive grandes amigos que me ajudaram a ultrapassar tudo. Obrigada a vocês pois considero que são a minha família, mais do que a minha própria família que são sangue do meu sangue.
Na altura não era crime público e como tal mesmo que alguém descobrisse do crime do meu pai, duvido que alguém tivesse tomado a iniciativa de fazer uma queixa contra o meu pai.
Meu pai era uma pessoa que falava bem, era instruído e os amigos dele eram pessoas que sempre que me cruzo com eles me vêm falar bem dele. Já pensei, numerosas vezes contar sobre o que acontecia em casa mas acho que não ia ganhar nada com isso (nem paz de espirito).
O meu pai era uma pessoa incrivelmente inteligente pois sabia bem onde devia bater para não deixar marcas ou a força que devia aplicar. Lembro-me que ele não se importava se as pessoas descobrissem, mas que eu tinha o cuidado de andar sempre com camisolas mesmo de Verão sempre que ele se excedia.
O pior de tudo não era a violência física mas as marcas que ele me deixou ao nível psicológico. Ele mostrava sempre arrependimento e a minha mãe acabava por desculpa-lo.
Muitas vezes levei porrada porque o pó não estava bem limpo ou porque a carne não estava bem cozinhada ou por qualquer outro motivo.
Lembro-me de uma altura da nossa vida em que acordava mais cedo do que toda a gente para deixar as coisas limpas e impecáveis mas que ele deu-me uma surra na mesma porque encontrou pó.
O meu escape era a escola e por isso era uma excelente aluna até comparada com a minha irmã a quem ele chamava de burra. Sei que ela enfiou isso na cabeça e que ainda hoje me odeia por causa disso.
 
Sugestão aos senhores que mandam
 
Agora que passou a crime público não deviam fazer uma coisa simples como avaliar todas as queixas independentemente de serem retiradas ou não?
Porque não metem as associações como a APAV a verificar estes casos?
Quantas vidas não se tinham poupado e quantas crianças não poderiam estar protegidas?
 

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